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Quando chegamos em Sorocaba já encontramos nossos comparsas-hermanos-sorocabanos Peu, Duda, Marcos e Mari – algumas das cabeças por trás do Rasgada Coletiva. Gente nova, mente aberta e com aquela vontade invejável de fazer acontecer. O tipo de gente que cativa pelo brilho que você percebe no olho quando eles te contam sobre o coletivo, as viagens, idéias, as roubadas, os sucessos etc. A mansão do Rasgada Coletiva é uma casa ali perto do Asteroid. Na sala tem uma bateria usada no “Carne de Segunda”, uma biblioteca com uns livros doados pela galera, quadros, painéis, uma área que vende bebidas e lanches. Ah, e as paredes são forradas de poemas e frases rabiscadas por quem quiser mandar o seu recado. Claro, deixamos nossa marca lá e rumamos pro show - não sem antes coagirmos a Mari a nos descolar umas cervas senão a gente ia escrever na parede aquela música do Jorge Vacilo “A saudade bateu foi que nem maré / Quando vem de repente / De tarde, invade / E transborda esse bem me quer / A saudade é que nem maré...”. Lá no Asteroid já tava começando a chegar gente. Nisso encontramos várias pessoas de outros shows que fizemos em Sorocaba - tipo o último, no Mustachi -, uns que estiveram na festa do Cicas e muitos outros que foram lá por causa da repercussão firmeza que o Rasgada Coletiva fez no Twitter, Facebook, email marketing e sinal de fumaça. E o show foi assim: A visão do público era essa: Um telão gigantesco que cobria o todo o palco. E lá no palco, atrás desse telão, tava a gente. Ligamos os instrumentos, tomamos um gole, tomamos mais gole e nos olhamos num misto de expectativa, ansiedade e agora vai! No filme, Jackson Pollock olhava uma imensa tela em branco. Atrás do telão, La Carne começava uma catártica trilha sonora. Jam session extrema. Cada um pra um lado e no meio do caminho tudo vai se acertando. Tal qual a forma que o Pollock criava. Cada pingo na tela e no chão reverberava uma nota dissonante. Quando ele parava e ficava olhando pra tela com um olhar insano a gente também parava e ficava fraseando. Quando vi, de trás do palco surgiu o pessoal do Rasgada e ficaram ali, sentados, encostados, ouvindo o som e viajando com a gente. Foi mais intenso do que a gente havia imaginado. Quando o Pollock acabou uma tela e lançou a assinatura dele, a gente também acabou o som. O telão subiu, a luz da pista cegou nossos olhos, as pessoas urravam e a gente se contorcia de satisfação por poder viver uma coisa dessas. No mesmo momento, já emendamos o show com Granada e Contra corrente. O público foi um capítulo à parte. Tinha gente batendo nos retornos, gente pulando, gente no canto olhando do tipo “WTF?”, gente cantando, batendo foto e um que até subiu no palco e voou. Aí veio o segurança e ficou ali na frente pra evitar que nêgo rachasse a cabeça. Foi fo-da. Lá pras duas da manhã estávamos na Castelo e ficávamos falando do show, do lugar, das pessoas, do som, da festa e da Mansão. Pois é. Em tempos de barraco digital do undergournd, não tem jeito, é muito bom você poder sair, mandar teu som dignamente, voltar pra casa quebrado e ainda se sentir incrivelmente bem. Ao Rasgada Coletiva, muito obrigado por nos proporcionar mais essa pra nossa história. E vida longa ao Esteticozoofrenia!
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