FESTA ESTETICOZOOFRENIA
Asteroid - Sorocaba(SP)


O Rasgada Coletiva é um coletivo lá de Sorocaba composto por gente de diversas áreas voltadas para a cultura, produção, eventos, ações de guerrilha, debates e criação de espaços alternativos pra toda e qualquer forma de expressão artística. Tudo na base da cooperativa.

O coletivo armou uma festa chamada Esteticozoofrenia no Asteroid. A idéia e produção da festa é ousada: um telão gigante fica na frente do palco passando um filme. Nisso a banda da noite está atrás desse telão fazendo um som de improviso pra soar com uma trilha sonora pro filme. Isso dura uns 10 minutos. Depois disso, sobe o telão e no mesmo momento a banda já começa o seu show. E aí que eles nos convidaram e tivemos a honra em ser a primeira banda do projeto.

Quando chegamos em Sorocaba já encontramos nossos comparsas-hermanos-sorocabanos Peu, Duda, Marcos e Mari – algumas das cabeças por trás do Rasgada Coletiva.

Gente nova, mente aberta e com aquela vontade invejável de fazer acontecer. O tipo de gente que cativa pelo brilho que você percebe no olho quando eles te contam sobre o coletivo, as viagens, idéias, as roubadas, os sucessos etc.

Depois rumamos pro Asteroid pra passagem de som. Cara, e que som! Foi coisa de 10 minutos. E o Marcel ainda fez a préza pilotando a mesa e ajeitando retornos e subindo caixa na maior brodagem. Valeu Marcel!

Dali seguimos pra uns tragos com nossos anfitriões e ficamos nos gorós, salgadinhos, mais goros e mais salgadinhos. O Peu e a Duda contaram da trip do INI pro Sul, a Mari e o Marcos deram a letra que o Iansã também tá de viagem marcada pra lá, a gente contou umas presepadas dos nossos rolês e aí alguém sugeriu em conhecermos a sede do coletivo e aí já era. Borá pra sede!

A mansão do Rasgada Coletiva é uma casa ali perto do Asteroid. Na sala tem uma bateria usada no “Carne de Segunda”, uma biblioteca com uns livros doados pela galera, quadros, painéis, uma área que vende bebidas e lanches. Ah, e as paredes são forradas de poemas e frases rabiscadas por quem quiser mandar o seu recado. Claro, deixamos nossa marca lá e rumamos pro show - não sem antes coagirmos a Mari a nos descolar umas cervas senão a gente ia escrever na parede aquela música do Jorge Vacilo “A saudade bateu foi que nem maré / Quando vem de repente / De tarde, invade / E transborda esse bem me quer / A saudade é que nem maré...”.

Lá no Asteroid já tava começando a chegar gente. Nisso encontramos várias pessoas de outros shows que fizemos em Sorocaba - tipo o último, no Mustachi -, uns que estiveram na festa do Cicas e muitos outros que foram lá por causa da repercussão firmeza que o Rasgada Coletiva fez no Twitter, Facebook, email marketing e sinal de fumaça.

Aí o Marcel veio dizer que já era hora.  

E o show foi assim:

A visão do público era essa: Um telão gigantesco que cobria o todo o palco. E lá no palco, atrás desse telão, tava a gente. 

Ligamos os instrumentos, tomamos um gole, tomamos mais gole e nos olhamos num misto de expectativa, ansiedade e agora vai!

No filme, Jackson Pollock olhava uma imensa tela em branco. Atrás do telão, La Carne começava uma catártica trilha sonora. Jam session extrema. Cada um pra um lado e no meio do caminho tudo vai se acertando. Tal qual a forma que o Pollock criava. Cada pingo na tela e no chão reverberava uma nota dissonante. Quando ele parava e ficava olhando pra tela com um olhar insano a gente também parava e ficava fraseando. Quando vi, de trás do palco surgiu o pessoal do Rasgada e ficaram ali, sentados, encostados, ouvindo o som e viajando com a gente. Foi mais intenso do que a gente havia imaginado. Quando o Pollock acabou uma tela e lançou a assinatura dele, a gente também acabou o som. O telão subiu, a luz da pista cegou nossos olhos, as pessoas urravam e a gente se contorcia de satisfação por poder viver uma coisa dessas.

No mesmo momento, já emendamos o show com Granada e Contra corrente.

O público foi um capítulo à parte. Tinha gente batendo nos retornos, gente pulando, gente no canto olhando do tipo “WTF?”, gente cantando, batendo foto e um que até subiu no palco e voou. Aí veio o segurança e ficou ali na frente pra evitar que nêgo rachasse a cabeça. 

Foi fo-da.

Lá pras duas da manhã estávamos na Castelo e ficávamos falando do show, do lugar, das pessoas, do som, da festa e da Mansão.

Pois é. Em tempos de barraco digital do undergournd, não tem jeito, é muito bom você poder sair, mandar teu som dignamente, voltar pra casa quebrado e ainda se sentir incrivelmente bem.

Ao Rasgada Coletiva, muito obrigado por nos proporcionar mais essa pra nossa história.

E continuem na guerrilha compadres. Como vcs mesmos disseram, o novo, o estranho e o contundente é o que move a gente.

Arte é conflito. Não é entretenimento.

E vida longa ao Esteticozoofrenia!



FIM