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Começar o ano fazendo um som sempre é típico de que vai ser um ano bom. Pois veja bem, se tudo começa com você encontrando os amigos, tomando uns drinks, ouvindo música e ainda tendo a chance de levar seu som pra quem ainda não te conhece, não tem como dar errado, né? E a festa, além dos DJ’s Tiago e Vanessa, tinha o La Carne e o lançamento do cd dos Velters. E era legal ver a pilha que os caras do Velters tavam pro lançamento do primeiro cd. Uma pá de amigos, pai, mãe, produção, roadie, banca de cd, camiseta... ó, coisa profissa. Ouçam eles aqui. E isso de primeiro cd sempre é meio emblemático pra gente. Sim, nós também já tivemos nosso show de lançamento do primeiro cd. Teve filmagem com luz de casamento, “xis” pras fotos e tudo mais. Mas isso foi lá no século passado. Bem antes de ficar velhos e chatos. Pois é, faz um bom tempo que a gente existe. E de um jeito ou de outro, a gente sempre foi sobrevivendo. Pra você ver, mesmo quando lançamos o primeiro disco, já tinha mais coisa na agulha pronta. Sei lá, sempre pareceu que tínhamos tanto pra dizer e tocar e compor que tudo tinha certa urgência, saca? Essas coisas de fazer disco, trabalhar ele, fazer os corres/contatos necessários e tudo mais sempre nos foi muito desencorajador (e às vezes até meio humilhante). Então, mesmo com disco novo, a gente já tinha mais umas 10 na manga. Talvez, no nosso caso, se aquietar pode ser a morte. Daí que tocar e compor religiosamente foi o jeito que encontramos pra nos manter vivos. Claro, muita coisa pode dar errado no caminho e estar preparado pra se frustar nunca é demais, né? Os maus espíritos das multinacionais e da propaganda querem que você queira tudo. Mas se você chega a possuir tudo, na seqüência bate o vazio. E aí já era. Por exemplo, às vezes parece que hoje algo está errado. Tem nêgo com tanta expectativa que dá até medo. É como dizia meu finado vô lá de Ourinhos, um pé atrás e um pouco de maldade não faz mal a ninguém. Na nossa modesta e suspeita opinião, uma banda não tem de estar no palco pra ”agradar”. A coisa é justamente o oposto disso. O conflito é necessário. E o Rock – mesmo que não pareça - não é entretenimento. Definitivamente, a coisa deve ser mais criatividade que fórmula. Mais emoção que intelecto. Por aí. Já termos sido citados como “underground do underground”, que nosso “tempo já passou” e outras coisas é uma honra pra nós. Sim, porque mesmo depois de todo esse tempo, a gente ainda não sabe o que quer. Mas sabe o que não quer. E o que está aí a gente não quer. Olha, tem gente que não é nem um pouco bondosa com quem representa diferença, intolerância ou algo que o valha. Mas isso não pode ser motivo pra você não se rebelar, certo? Aí que na Livraria encontramos vários amigos. Tava o Boi, a Renata, a Vânia, o Eduardo, Pierre, Bill. Felipe, Camila etc. etc. O Felipe e a Camila vieram lá do ABC de trem e busão, o Boi atravessou a cidade, o Dom Orione também. Enfim, primeiro show, e na presença dos truta, tá tudo certo. Mas mesmo com os primeiros vacilos do ano, o show até que seguiu bem. E é por isso que confiança é uma merda. Quando você acha que tá tudo certo, que agora vai... PÂN! (mensagem de erro do Windows). Enfim, acontece. Tem uma história ótima do B.B King, na qual que ele diz assim: “Meu tio (ou cunhado, não lembro) tocava no culto da Igreja aos domingos. Um dia ele deixou o violão sobre a mesa e eu fui lá e peguei e fiquei arranhando as cordas. Nisso ele veio e, ao invés de me dar uma bronca, me ensinou 3 acordes... e quer saber de uma coisa? Estou tocando esses 3 acordes até hoje.“. Sensacional! Isso não é nem respeito, é muito mais, é uma espécie de reverência pela sua música, né? =================================== Novamente, valeu aos brothers que começaram o ano com a gente. Valeu Vanessa e Tiago pelo convite. E Velters, vida longa e ótima caminhada pra vocês cambada!
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