JUKEJOINT – 31.05.2008

 

A gente nunca teve sonhos de tocar em lugares gigantes, um puta palco, cachêzão e tals. E quando rolou show assim (em lugar descolado e “muderno”), a experiência não foi das melhores.

A gente gosta de som alto, da mesa de sinuca, de copo cheio, enfim, de se sentir bem no lugar. Só isso e a noite já está ganha. Então, pra nós, é uma merda o fechamento do Jukejoint. Conhecemos aquele pico desde os tempos do finado Sanja. E muito músico bom e shows fudidos passaram por ali. Shows com gente não conseguindo entrar de tão cheio que tava o lugar. Brigas, discussões, ameaças, mas no fundo o que todo mundo mesmo era só se divertir.

E, mais uma vez, é uma merda a cidade jogar sujo e trapacear com a gente desse jeito. Mas não há de ser nada não. Todo lugar tem um canto pra você possa tirar um som. Se não tiver a gente põe um ampli em cima de uma caixa de cerveja e tá tudo certo. Aí tocamos uma música que ninguém nunca cantou e que está ali, na ponta da língua, com os acordes exatos e pronta pra ser tocada.
 
Aí que estávamos trocando idéia com o Alê (o homem, o mito, a lenda do baixo lá de Osasco) e ele tava lembrando dos seus pais musicais que tinham tocado ali e de como aquilo tinha feito a sua cabeça. E dizia isso com um brilho repleto de respeito e admiração nos olhos. Classe A.

E pra festa ficar melhor ainda estavam muitos amigos lá de Osasco. Nardão, Eduardo, Ale, Renata, Suseli e Mayara (que tão apavorando e trabalhando e produzindo e organizando e divulgando o teatro lá de Osasco. Issaê!). Também tava a Vânia, a Suzi, o Elmo, os Água Pesada nossos irmãos de muitos shows, o Olavo falando do filhão que fica tirando um som no sax pela casa. Ah, e tava o Peruka, da banda Ventura , dizendo que tá vindo disco novo esse ano.

E como era aniversário do Eduardo ele ainda apareceu com um litrão de Jack Daniel’s pra brindar. Se liga no naipe dos amigos da classe trabalhadora. Tuto bona genti. Ah, e ainda tinha os Fabrica de Animais, os Trovadores de Bordel, os Sacos de Ratos e uns manos gravando o dvd documentário da casa.

Quando a Fabrica de Animais foi passar o som já tinha nêgo curtindo e pedindo música. Mas era só passagem de som. “Que se foda! Passagem de som o caralho, Continua aí porra!”, gritava a turba exacerbada. E assim começou o show. Vai vendo. Aí teve os sons deles e umas versões avassaladoras de Tom Waits e PJ Harvey. E ainda tinha o Flavio Vajman (mais um aniversariante da noite) tocando sua gaita e uma percursão classe A! Incrível.   

Na seqüência foi a gente. Setlist do disco novo e uísque do Eduardo no palco. Baquetas voadoras, palheta sumida no chão e gente ali sem arredar o pé. Som alto. Bem alto. Aí a Fernanda fez backing vocal e tinha gente que gritava junto dela. Foi, digamos assim, um caos bem organizado. Nossos fãs anônimos mais uma vez estavam lá e isso sempre nos deixa na boa.

Aí teve os Trovadores de Bordel. Público pedindo músicas e a simpatia dos caras lá no palco. E o maluco era do Oitavo DP, lembra desse bar? Ó que mundo pequeno, ele tem uma fita k7 da gente da época que fomos arrumar show lá. Tinha gente filmando e batendo foto e pedindo cada hora uma música diferente. Farinha! Benzadêus.

Depois de tudo isso ainda teve o Saco de Ratos. Blues-jam-Rock de responsa só com músico firmeza e ainda tendo o Marião Bortolloto nos vocais. Aí já viu, ele cantando daquele jeito cambaleante e os caras lá mandando ver com uma simplicidade e técnica desconcertante de quem sabe muito bem o que tá fazendo.

E tinha gente em todo canto ali no Jukejoint. Na pista, na mesa de sinuca, no bar e até lá no quintal. Então, na nossa modesta e mais que suspeita opinião, foi boa demais a festa de despedida dessa casa que vai fazer uma falta danada.
 
Mas ó, a gente não vai deixar a festa acabar, ok? Tem muita música pra rolar ainda e em breve todo mundo vai estar junto de novo, em um outro pico, saqueando o bar e ouvindo aquele som que só a gente gosta. E aí vamos ficar chapados e dar mais algum vexame. Afinal, o que liga é não se levar tão a sério, certo?  
 
Um brinde com bafo de ethanol para o Jukejoint!