FRANCA - GUERRILHA GIG (22.11.08)


E mais uma vez pegamos a estrada pra Franca, terra dos nossos queridos Az, Sid, Newton e Mark, as cabeças por trás do Studio Eleven.

Só que agora a parada era com outros elementos lá da área, quer dizer, lá de Guaxupé, e que estão organizando o festival GuerrilhaGig por lá. E ainda tinha um agravante, era o primeiro show da gente, pós o novo cd, o Granada. Ó a responsa.

Depois de 5 horas de um sol chapante na cabeça, de um rango federal na estrada, da Skin sabor Tubaína, e do café com coxinha (ops, café apenas.. ), enfim, chegamos lá no Galo Branco, em Franca. “Ô seo AZ, vem resgatar Osasco aqui pq os agro-bóy cara já tão olhando feio pra nós...”. Aí, logo apareceram AZ e Welington Dias, nosso gurú, psicólogo e pai musical.

Depois disso passamos a tarde na casa do AZ. Cerveja, cerveja e mais cerveja. Vai dormir. Volta pra mais cerveja. Salgadinho, pão de queijo feito na hora pela Lú e sua simpatia desconcertante, bolo no forno, cerveja, carne e lingüiça no George Foreman. Tudo isso embalado por vídeos do Sonic Youth e bandas argentinas e chilenas e colombianas. Isso que é aquecimento pra show!

Aí chegou o Sid e rumamos pra Chácara. Lá no posto de gasolina, esperando os outros caras, uma história lindona de um habitante lá de Franca. Um tiozinho, que fica ali circulando, de roupa de policial rodoviário, algo assim, e fica anotando as placas dos carros. E ele chega pras pessoas e diz, por exemplo: “Seu carro não é o DYK 4325?”. E ele sempre acerta. E conhece todo mundo. Ninguém sabe porque ele faz isso, se ele foi um policial no passado ou se foi alguém que teve alguma grande decepção e ficou assim. Enfim, essa é a vida dele. Cada um tem a sua, nénão?

Lá na chácara já tinham diversas pessoas. Em volta do palco, perto da piscina, no bar, etc. Aí o Carlos-Guerrilha-Gig nos recebeu e já foi fazendo as honras da casa. Apresentando a galera, o André, o Douglas, etc, dizendo o que tinha, o que não tinha, se queríamos alguma coisa, se tava bom assim, se queríamos mudar. Pô, uma cordialidade classe A. Aí eu pedi uma mesa e uma caneta piloto pra montar a barraquinha da “firma”. Quando olhei, já tinha dois caras levando a mesa e colocando em lugar estratégico e tals. Vai vendo...

Sim, montamos uma barraquinha pra vender as coisas da firma. Tinha o novo cd, aqueles da coletânea Sinfonia de Cães e ainda algumas camisetas. Ao nosso lado o Fábio, dos Visitantes, também montou as coisas da firma dele e ficamos ali rolando idéia. Aí que, antes dos shows, já tínhamos vendido alguns cds e camisetas e meu lado administrador da firma começou a achar que ia dar jogo aquilo ali.

Quem abriu a festa foi o Alma Mater. Aquela psicodelia YolaTengo-PinkFloyd tava linda de se ver junto as imagens que tavam em um telão acima do palco. E o Daniel é o cara rei das melodias. “Sky kissing Cowboy” é de arrepiar os pêlo do dedão do pé. E ainda tinha AZ e sua competência na batera, Thiago Fuzz mandando riff atrás de riff, Marcelo e sua elegância no baixo, Fio no Cello e a Isabela (de bailarina) e seu violino. E o som tava bom pra caralho. E ainda tinha aquelas canções, que com sua melodia e tristeza, lindas, davam vontade de gritar e correr e agradecer por poder estar ali. O Alma Mater, por si só, já valeu a viagem. It’s better when you stay here, This is my best false smile, I must keep my false life...”. Ó o naipe dos caras.

Depois veio o Visitantes. E aí já fez uma galera colar na frente do palco e os caras não se fizeram de rogado e mandaram um som atrás do outro. Som alto, dançado, cantado e gritado. Aí teve pedido de musica no final, toca mais uma, mais uma e saiu tudo certo. Mandaram bem pra caralho e saíram dali com mais fãs pro currículo.

Depois teve DJ e o La Carne arrumando as coisas no palco. Mais uma vez, CarlosGuerrilha veio e ficou o tempo todo ali de brodagem, erguendo mesa, puxando cabo, etc, etc, etc.

Lá pelas 3 da manhã começamos o som. E como tava bom o som lá no palco. Incrível. Mandamos as novas canções do Granada e duas de outros discos. Tinha gente que cantava a plenos pulmões as novas músicas, que levantava os braços pedindo redenção - ou seria mais uma bebida? De repente, Linari leva um senhor róla do palco e se estatela no chão (tudo bem, um palco com melhor desenho, sem aquele vão, seria menos perigoso, enfim..). Mas aí que estávamos tocando Blues dos seus absurdos. Na hora do solo. E ele lá embaixo se levanta apoiado por alguns brothers. Ergue os braços apontando o sinal de vitória. A banda no palco tocando a todo vapor. Nisso o povo começa a aplaudir. E mais forte. E mais forte. E o som comendo. E ele vai por trás do palco, sobe a escadinha se dirigindo ao seu lugar. Agora as palmas são gritos. Catarse geral. “É, todo mundo cai na vida...”. E aí as palmas já eram urros. E, a despeito da queda, foi lindo. E foi nesse ritmo até o final, quando paramos no Marimbondo e muita gente junto: “ENCHO A BOCA DE MARIMBONDOOO..”. Foi massa.

Depois foi a vez do Berrodubio montar seu som e dar porrada pra todo lado. Percussão, leitura de poema, Stooges, enfim, dominaram e foi difícil fazer os caras descerem de lá. Literalmente.

Vendemos cds, camisetas, armarmos um possível show em breve ali na região, conhecemos bastante gente e fomos descansar os esqueletos satisfeitos. Mais ainda, de alma lavada.

De manhã, depois do pão, do bolo m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o da Lú, refri, e mais uma fornada de pão de queijo, rumamos pra capital do capital, sem olhar muito pra trás por que senão dava vontade de voltar.

Já em Osasco, entre um misto de vergonha e orgulho, contei essa história. Vergonha por achar que às vezes os amigos pegam pesado demais com a gente, que já tem mais de 30, e que ainda não aprendeu nada, e que não sei se somos dignos de toda essa amizade. E orgulho, por saber que isso, essa amizade, é o melhor que vamos levar disso tudo.

Enfim, é isso.

Muito obrigado.