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O dia em que o Formigueiro ferveu!
O Formigueiro é um pico que fica lá em São Mateus, Zona Leste. Poster de banda na parede, TV que fica passando shows, bebidas, comida, mesa de bilhar e uns games de pancadaria. Precisa mais? Ah, sim, 2 sofás pra cair em caso de fatalittys. ("Finish him! rs)
Daqui de Osasco é rolê até lá. Mas o percurso até que foi sussa pra nós, e chegamos rapidinho e sem problemas - tirando o quase atropelamento num maluco de bike que cruzou na contramão, e depois de um "entra-pra-esquerda-não!-entra-pra-direita!" que fez a gente sacudir uns 10 metros em cima daqueles olho-de-gato malditos da C.E.T., tirando isso, o trajeto foi tranquilo. Por fim o solene buzinaço e mão espalmada no peito quando passamos em frente a sede do TODO PODEROSO CORÍNTHIANS! Comentamos: "Amanhã domingo, vamos trucidar a Porcaiada! êêê". Bem, vamos pular essa parte...
Como chegamos cedo, deu pra ficar trocando ideia com o nosso chapa e barman local, Doutor A. Não, assistir DVD, tomar umas canjibrinas e ver a exposição de fotos com as bandas que já tocaram por lá. Depois saímos pra um passeio no quarteirão. Sem brincadeira, passamos por umas 5 ou 6 igrejas! Cada pastor gritando mais alto do que o outro. "HALLELLUYA!"... O Nick Cave iria se sentir em casa morando em São Mateus...
E aí que não chegava ninguém das outras bandas e a gente começou a imaginar que alguma coisa tava errada – depois ficamos sabendo que o Mavka teve problemas na viagem, o carro quebrou e aí fudeu tudo de vez. Mó merda. Mas tranquilo compadres,o importante é que depois todo mundo chegou bem, nénão?
Quem armou a show foi o Mavka, que também chamou o Alarde, o Hangovers e a gente. E só depois é que nos ligamos de que cada banda ali era de um lugar. Mavka (Sorocaba), Alarde (São Paulo), Hangover (Porto Alegre) e La Carne (Osasco). E isso tudo se encontrando lá na Zona Leste, distante uma pá de quilômetros da capital do Kapital e ainda com cada banda levando amplificador, caixa de baixo, ferragens etc. Tudo na brodagem, como deve ser, nénão?
Depois foi passando o tempo e todo mundo chegando e tivemos a grata surpresa de encontrar vários amigos das quebradas do mundaréu. Veio gente de Mogi, da baixada santista, de capital, de Guaianases e da Zona Norte. Vai vendo. E ainda teve os nossos irmãos de coração Jair Naves, Davi, Gabriel Hierofante, Mr. Lowcas e Mr. Jorge Maneiro
Mais surpreendente ainda foi a presença ilustre do Mikimba - grande poeta das ruas, um dos guereiros do "De Menos Crime", genial crew hip-hop que é dali de São Mateus e passou no formigueiro pra visitar os muleque-do-rock. De Menos Crime são os caras que escreveram "E-aí-comé-quié? Fogo na Bomba!" um hino já clássico do hip-hop nacional. Foi ducaralho trocar umas palavras com o cara - falar da vida, dos filhos, das doidêras, dificuldades, comédias - tudo o que um artista vivencia rodando pelas quebradas do mundaréu. Foi classe A conhecer o Mikimba, que disse ouvir falar da gente por causa do documentário do João Weiner, o "PIXO". (Tá ligado nessa história? Não? Então crica aki. )
Quem abriu os trabalhos foi o Hangovers, vindos direto de Porto Alegre.
Duas guitarras (uma plugada no ampli de baixo) se desafiando em riffs espertos e pesadões, surfando no fio da navalha entre o heavy e o grunge, e uma baterista inacreditável - socando os couros com paixão e entrega raras de se ver. (deve ser tradição gaúcha isso, né Biba Meira?). Hangovers! Todo poder ao grunge! Eles estão na divulgação do EP "Bebendo Socialmente" e tem pra download lá no Trama Virtual. Bóralá ouvir o som. Grande show!
Depois quem tocou foi o Alarde. Conhecíamos o som dos caras através de um clip que eles fizeram da música "Vida Bandida". Clip legalbagarai, música idem ("arritmia no apartamento/noites em branco/e um tiro no peito/descreve o fim"). Poesia embriagada, lassiva, e guitarradas fusciantes, nervosas. Foi foda o show dos caras. De quebra, uma palhinha do Rafael Laguna, cantando a impagável "Fííí" da sua banda Capim Maluco. Detalhe: quando a gente tava voltando pra casa, Linari disse :"Pô velhinho, o vocalista do Alarde me descolou o CD deles...só que eu já tinha roubado um, mas fiquei com vergonha de falar pro cara...mancada né?". Caímos na risada, e botamos pra ouvir no carro. O CD se chama "Oitoitenta". Polaróides da marginália, rock vigoroso e um belo trabalho gráfico. Vai vendo... Aqui o som.
Na sequência foi a gente. Tocamos meiorinha. Mas já foi suficiente pra ficarmos suados e fedidos. No fundo, é isso que nós somos: velhos fedidos pagando de artista! rsrs O tempo era curto e todas as bandas encurtaram os shows pra não dar B.O. pro Formigueiro.
Alguns momentos valem a pena serem registrados aqui, só pra nós não esquecermos: tudo estava pronto, e o Linari sumiu. Daí eu, Jorge e Chicão combinamos: "vamos sacanear esse gordo!". Começamos a mandar um improviso (taí: compomos + uma música ali, ao vivo)...não deu outra: o cara veio da rua (ficou puto! rs) e já se envorveu com o som, mandando uns versos. Depois já engatamos "Contra corrente" e aí foi uma atrás da outra e rolou até dois sons novos que ainda estão se acertando. Lá pelas tantas, do meio do povo, apareceu um brother com uma gaita e subiu no palquinho e fez um solo dylanpunk no fim de "Blues dos Seus absurdos". No final, outra cena legal foi o Linari saindo do palco e indo pro meio do povo enquanto a gente tocava o final de "Vergonha na cara". HALLELLUYA!
Na seqüência veio o Mavka, banda lá de Sorocaba, camaradas dos brothers do INI, do Iansã, e que também fazem parte do coletivo Rasgada Coletiva. Pra você ver como foi foda o atraso deles (a treta do carro quebrado), parte da banda só chegou no Formigueiro enquanto a gente já tava tocando. E isso já era quase meia noite. É foda, mas acontece. Imagino que eles tavam "na pilha", porque não é fácil chegar de viagem e já subir pra tocar assim, pá pum. Mas ó, o show foi bem legal. A tensão e o nervosismo só somaram ao espetáculo. Foi tenso, mas legal bagarai. Um descarrego só. Bea , Duda, Pedro e Victor sãos bons de briga! Superaram todas as malasuertes e nos brindaram com um baita show de rocknroll. Recentemente eles fizeram uma participação no Popload que você pode conferir aqui. Ah, e tem um cover de Sonic Youth simplesmente sensacional. E se liga no Soundcloud dos caras pra ver o nível de composição e arranjo da banda. Já estamos articulando uma próxima invasão no Formigueiro, certo Béa?
Depois ficou todo mundo ali trocando ideia com o nosso anfitrião, Mister A. Não, uma das cabeças por trás do Formigueiro. Tinha gente na frente do bar, jogando bilhar, bebendo e também falando dos shows (alguns falando mal, é claro...afinal, nada é unanimidade nessa vida...)
Pra nós, só satisfation. Encontramos bandas muito boas, cada uma com coisas interessantes a dizer e mostrar. Novos amigos, som alto, e uma pá de história pra contar e pra ouvir.
E olha, o tempo passa e a gente tá cada vez mais curtindo essa viagem. E justamente porque o tempo passa é que as coisas acontecem. Se não sentíssemos um imenso prazer em tocar nossas canções tropegas e vagabundas, não pegaríamos um carro lotado de equipos, não iríamos pra Zona Leste, nem pra outras cidades e estados e nem largaríamos nossas famílias e problemas para dar nosso recado. É o que liga. É não ficar parado no tempo e no espaço, olhando as boas coisas passarem batido por você, nénão? Se por um lado a gente aprendeu a não criar ilusões, por outro também aprendemos a não ter esperança. Então, já que tudo depende da gente, acreditamos é no presente. Depois de tudo, ele é a única coisa que nos interessa.
E foi assim: dia 27 de agosto de 2011, o Formigueiro ferveu. E continuará fervendo!
Valeu a todos os comparsas pela festa e ao Mavka pela honra do convite.
Compañeros, dia desses nos trombamos novamente pelas quebradas do mundaréu, ok? Um brinde!
FIM
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PS1: ficamos sabendo que a Prefeitura de Mogi das Cruzes (ou a Câmara dos Vereadores, ou o Bispo, sei lá eu quem) simplesmente PROIBIRAM AS CASAS NOTURNAS DE RECEBEREM SHOWS AO VIVO. É isso mesmo? Nós entendemos direito? Fizeram isso com a cidade que é berço de algumas das melhores bandas de SP? Se for isso mesmo, vamos fazer algum barulho, rapaziada! Quem esses pilantras pensam que são?
PS2: Descanse em Paz, seu Zé Bananeiro (pai do Linari). E não se preocupe: seu filho nunca será "artista". Ele sempre será um peão na nossa Fábrica. A gente cuida dele, podexá.
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