| |
|
18.04.2008 - DIVINA COMÉDIA
Mogi das Cruzes - SP
Daí que pegamos as tralhas e fomos para nossa cada vez mais apaixonante Mogi.
Olha, vou te dizer que dessa vez não foi fácil, não. Pegar a Dutra, em véspera de feriado, em pleno horário mais trash, é muito, muito, muito foda. Duas horas pra chegar na Dutra. Sim, isso mesmo, duas horas pra apenas chegar na Dutra é de cair o cú da bunda.
Enfim, entre buzinas, carros apinhados de gente, tentativas desesperadas de dar um chapéu no trânsito e uma Brasília que carregava, e balançava pra lá e pra cá, uns dois metros de altura com coisas amarradas no teto (cadeira de praia, caixote com frutas, bola de futebol, guarda-sol), depois disso tudo que parecia a própria filial do coisa-ruim na terra, conseguimos chegar em Mogi.
Já perdidos nas ruas de Mogi, tivemos de fazer aquela cara de paisagem quando perguntamos pro John Locke onde era a rua do Divina Comédia. (sim, o maluco era a cara do John Locke do Lost, fato que nos deixou, digamos, meio apreensivos quando ao nosso destino. Até porque, pedir informação em uma rua semi-deserta, justamente pro Locke, é problema na certa, nénão AZ?)
Aí, pra variar, chegamos no lugar e nada. Ninguém. Fechado. Só se via a gente, o segurança e o desenho dos Beatles na parede. Paul olhava com aquele ar não ouvi e não gostei, Ringo e George faziam piadinha sobre nossa roupa e John, sorrateiramente, enquanto falava sobre paz, amor e outros alucinógenos, tentava dar um guento em nossa garrafinha de uísque.
Saída? Procurar um boteco. Anda daqui, vira ali e nada. Quando, de repente, a visão salvadora, um enorme símbolo do timãoêô e um boteco aberto. Bar temático do timão, cerveja barata, salgadinho Torcida e mesa de sinuca. Yes! Após 3 horas de trânsito, nós, definitivamente, passamos a acreditar que no céu das pessoas legais já tem um lugarzinho pra gente lá. Sim, segundo o Laerte, tem um céu das beatas, dos que pagam em dia os impostos, dos que tomam cerveja sem álcool e que só pensam em acumular riqueza durante a vida. E, do outro lado, tem um céu pras pessoas legais. Do caralho, né?
E quando estávamos quase saindo fora, chegam amigos que põe nossa decisão por água abaixo: Meteoro, Bôi, Vinícius e Zé Ronconi. Resultado, mais salgadinho e mais cerveja. E conhaque. E uísque. E cigarro. E cerveja. (não necessariamente nessa mesma ordem)
Quando chegamos no Divina, as Maquiladoras já estavam agilizando o palco. Ai foi chegando gente: Danilo, Gabriel e Diego do Hierofante (que vai ter disco novo em breve. Issaê manos!), os caras do Campus VI (eternos brothers!), Regis Somata, Felacios e gente pra dedéu.
O Divina tem palco pequeno e um metro e meio pra galera ficar na frente da banda. Ao lado tem uma mesas, bancos, um cômodo que é a pista e onde tava rolando Siouxie & The Banshes. No fundo da casa tem um salão com a parede forrada de discos e capas de LP’s. Enfim, na nossa modesta opinião, o tipo de lugar que sempre deixa a gente muito à vontade. Claro, existem uns nêgos que querem sofazinho, drink com cereja, música ambiente, lounge e área pra fumantes. Ou seja, o tipo de gente que não vai estar no céu das pessoas legais e encontrar todo mundo que tava ali com a gente no Divina.
Já eram umas duas e pouco quando as Maquiladoras começaram. Teve coisas novas, as músicas que a galera já conhece e canta junto, e fotos, e vídeos, e declarações de amor enquanto elas esmurravam os instrumentos. Mais uma vez, foi muito classe. E elas estão com uma agenda de shows de dar inveja a muito produtor cheio de “contatos” e “boas intenções”. Clica aqui e veja você mesmo.
Depois rolou som de pista enquanto os lacarnes esperavam a sua vez. Aí, lá pelas 3 e meia subimos. Fiquei com a música do OAEOZ (3 e meia) na cabeça, que diz que é nesse horário que as coisas acontecem. Justamente, Ivan.
Aí que foi daqueles shows pra ficar na retina por muito tempo. Tinha gente lá que cantava e levantada um brinde. Gente que não arredou o pé até a última nota. Porra, mais de quatro da manhã! Teve também os sons novos que ainda tão ganhando corpo ao vivo (o que minimiza nossos erros, no caso). Lá pelas tantas, teve participação especialíssima da Tânia Maquiladora. Nos bastidores, já havíamos combinado dela cantar Big Exit da PJ Harvey com a gente. E não deu outra. Ela subiu e representou com uma propriedade incrível. Não teve um vacilo sequer. Um mínimo erro. Disseram que foi lindo. Que foi rock pra caralho! Pronto, mais uma comparsa pra classe trabalhadora. Depois, pra fuder tudo de vez, ainda levamos um Handsome Devil. Ai fomos no clima até o final. Não deu pra acabar. Tivemos de tocar mais duas. Não deu de novo. Mais duas. Aí já era demais: “Vão beber, caralho!”.
E foi assim.
Então é isso. Valeu pelo convite Alexandre. Valeu pelo show Maquiladora. E valeu a todos os amigos que colaram no Divina.
Levar um som, o tempo todo, em todos os lugares, é tudo o que fazemos e que salva o nosso dia-a-dia nessa capital do capital. Então, se você saca isso, tâmojunto, ok? Muito obrigado pela brodagem.
A gente se vê nas quebradas do mundaréu.
FIM
*Ah, em maio vai ter Somata e Seamus lá no Divina. Tão dizendo que a vizinhança já chamou a polícia. Eu, se fosse você, chegava cedo e garantia pelo menos um lugar lá dentro.
|