CICAS
(Festa de 4 anos)


Já fazem 4 anos que existe o CICAS. Desde o começo foi aquela coisa de juntar uns amigos aqui, fazer um corre ali, encarar desconfiança, gente mal intencionada e até polícia. E nesse dia 20 foi festa de aniversário e os caras do coletivo organizaram uma comemoração com uma pá de atividades. Teve teatro, sarau, rock, rap, samba, rango, fotos, almoço coletivo pra comunidade e bolo de 4 metros!

Quando chegamos lá, após a errada básica de caminho, tava rolando um samba ali na frente. Detalhe, o grupo que tava tocando era formado por uma galera que fez aulas nas oficinas de música do CICAS. Moral, hein?

Enquanto isso fomos encontrando um zilhão de amigos. Veio gente de vários picos de Sampa-gothan-city e vários comparsas de Osasco. Valeu a preza compañeros!

Foi aí que, do lado de fora, começou o sarau. Tinha uma tenda e microfone pra quem quisesse ir lá e mandar os seus versos. E foi muito classe. Além dos caras e das minas mandarem uns versos, ainda teve umas crianças que foram lá e contaram a sua poesia. Teve uma, de uns 10 anos, que fez bonito. Empunhou o microfone, olhou pra galera e sem baixar a bola fez uma poesia que deixou todo mundo boquiaberto. Coisa linda de Gizúis. E depois teve uma guría que mandou uma poesia sobre uma princesa que morava na favela e que questionava sua cor de pele e o seu cabelo enrolado. Aí, no final ela se ligava ela era muito mais que a ditadura da beleza imposta pela TV e toda publicidade. Mazomêno isso.  E teve um monte de gente que foi lá e mandou ver. Discursos sobre a história do Cicas, sobre a história das pessoas dali, sobre vida, grana, ausência de grana e muito mais. Muito, mas muito legal.   

Lá pelas 20h começaram os shows na parte interna do Cicas e quem abriu os trabalhos foi o Iansã. A gente ainda não conhecia o som deles ao vivo. E foi bacana ver que Sorocaba está mais uma vez nos brindando com uma banda que acredita no seu som e faz os corres sem medo de cara feia. Nossos brothers mandaram seu som cheio de berros melódicos, microfonias e zunidos. Eles também estão direto no Guerrilha Gerador, aquele projeto que leva um gerador pro meio da rua e faz o rock acontecer ali mesmo. Então, não tem jeito, um dia desses eles estarão na sua esquina, ou na praça, ou na porta da sua casa atazanando a sua tranqüilidade. Firmeza total! Parabéns pelo ótimo show felás! Nos vemos pelas quebradas do mundaréu. Ouça o Iansã aqui!        

Depois teve o Mama Gumbo com aquele som meio caribe-atômico meio Jazz-funk- groveria. Puta vibe incrível. Todo mundo grudou na pista pra ficar ali chacoalhando os esqueletos. Ouça os caras aqu!

Antes do Água Pesada teve todo mundo cantando parabéns e ainda tinha um bolo de 4 metros pra comemorar. Aí virou festa de Nossa Senhora de AquiroCICAS. Classe A!

Na sequência veio o Água Pesada e sua fase Mantra-Psicodélico-Experimental. Melodias e microfonias de 15 minutos ininterruptos intercalados com um ou outro ataque de percussão no meio do caminho é o que os meliantes estão mandando agora. Algumas são até mais, acredita? Pra ouvir você pode ir no myspace dos caras ou baixar o disco novo pelo site. Bóra!

Depois disso, antes de começarmos a tocar, ficamos ali fora rolando idéia sobre o show do Manu Chao, movimentos sociais, rap paulista, resistência no Cicas, na Zona Leste e em Osasco e chegamos à conclusão de que, como dizia o saudoso professor Milton Santos: sim, um outro mundo é possível.

Quando a gente subiu pra tocar já tava tarde e tinha de ser rápido pra não dar zica com os homi. Depois de várias músicas, e já que o pessoal tava bem solícito com a gente, mandamos até um som novo que está sendo trabalhado religiosamente. Pronto, agora que ele caiu na estrada a coisa vai pra frente. Yeah! E se as forças do universo conspirarem a nosso favor, em breve tem mais.

No final da noite todo mundo tava se confraternizando pelo sucesso do CICAS, pela ótima comemoração e um zilhão de salves eram mandados pra tudo que era lado.

E que todos nos encontremos lá na festa de 5 anos, certo?

Um brinde compañeros!