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CEU UIRAPURU
O CEU Uirapuru fica ali no Jardim Arpoador. Aí você vai chegando, se perdendo pelas ruas, esquinas, carros em cima da calçada, milhões de motos e de repente, do meio do nada, dos moleques jogando bola, soltando pipa e correndo pra lá e pra cá tem aquela estrutura gigantesca que é o CEU. Teatro, música, dança, cinema, esporte e mais uma pá de evento tudo na faixa pra a comunidade do lugar. Fudido.
Quando chegamos já encontramos os Revoltus e o Rephorma Geral circulando e carregando as coisas pro teatro onde aconteceria o show. Palcão bunito, luzes classe, som bacana e um técnico de som muito boa gente que ficou ali nos ajudando e dando uns toques para fazer rolar legal o show.
Depois fomos encontrar um boteco pra molhar a goela. Na saída, circulando pelo CEU, encontramos pais e mães e avós e um monte de criança correndo pra lá e pra cá com bola, descalço e de toalha na cabeça indo a milhão pra piscina.
Chegamos no bar, colamos no balcão e “Boa tarde gente!”. Aí um tiozinho já sacou uma mesa e puxou umas cadeiras dizendo senta aí pessoal. Em frente tinha um terreno gigante e gente andando com cachorro, moleque soltando pipa e motos pra lá e pra cá. Quando estávamos saindo chegou uma tia e disse poxa agora que vamos assar uma carne tão indo embora? Vai vendo... Gente humilde. Que nem aquela canção.
De volta pro CEU, colamos no teatro e já tinha uma galera circulando por ali. Tinha pouca gente, basicamente as pessoas das bandas e alguns amigos. Ah, tinha também um grupo de moleques que ficavam indo pra lá e pra cá senta e levanta daquele jeito tocando o foda-se básico de um grupo de moleque de 8 a 10 anos. Normal. Apareceram em foto, filmagens, um lá até pegou um microfone e outros pediam “toca Restart!”.
Depois fomos pro camarim e ficamos lá no suco e água e café e bolacha enquanto rascunhávamos um setlist.
Quem abriu os trabalhos foram os Revoltus. Eles são daqui de Osasco. A gente sempre trombava a Patrícia e o Adriano ali no BigRec, o estúdio onde ensaiamos. Ela na guitarra e ele na bateria. Eles iam lá, somente os dois, e ficavam tocando alucinadamente as canções deles. Músicas precisam ser escritas, tocadas e cantadas. E era bacana ver eles se dedicando com unhas e dentes a fazer suas músicas. Ela na guitarra e ele na bateria. E só. Meio que um White Stripes invertido. Aí que recentemente a Denise entrou na banda pra tocar baixo e parece que a nova “elementa” deu liga pra todos ali. Riffs classe e, senão me engano, rolou até uma versão punkamente tocada de “Desequilíbrio” dos Inocentes. Parabéns pelo show compadres. E vamo que vamo, certo? Ouça os Revoltus aqui.
Depois foi a banda Rephorma Geral. Um monte de gente, 3 backing vocals e aquela pegada Itamar Assunção mais banda Isca de Polícia. Tem também um lance teatral no meio do show, aí cai pra versões de Tim Maia e fecha com sons próprios. Bacana, viu? Veja um vídeo deles tocando Itamar Assunção, aqui ó.
Ficou pra gente fechar a festa. O Marcos, que era o cara do som, nos deu um help firmeza com voz e timbres que fez tudo soar bem legal. O Adriano dos Revoltus até filmou e disse que vai fazer a préza e descolar uma cópia pra classe trabalhadora. Aí sim! Em um puta palco gigante, que dava até pra dar um rolê enquanto a gente tocava, mandamos vários sons, alguns agradecimentos, outros brindes e mais uma vez colocamos o coração pra fora.
Depois, diferente das festas artísticas da TV, não teve cocktail e nem limosine pras bandas. Cada uma carregou suas coisas, atulhou tudo nos carros e se despediu com aquele sorriso de satisfação pelo dever cumprido. Aí apagaram as luzes do teatro, o CEU foi fechando as portas e todo mundo seguiu seu rumo.
Na rua ainda estavam os moleques descalços correndo, o bar já tava assando uma nova leva de carne, as motos passavam alucinadas pra lá e prá cá e o vigia, enquanto fechava os portões, nos deu boa noite e voltem mais vezes.
Pois é, gente humilde. Que nem a música.
FIM
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