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Campus VI – 18.16 (Mogi das Cruzes-SP)
A Mandíbula + Topsyturvy + La Carne
Olha, nesse diário de bordo a gente não vai falar de como foi a viagem, de como fomos mais uma vez tremendamente bem recebidos no Campus VI e de como sempre nos sentimos bem em estar ali. Porque isso, desde que tivemos a honra de conhecer aqueles meliantes, todo mundo tá cansado de saber.
Que o Elmo é nosso irmão mogiano todo mundo também sabe. Que o Diego, Rachel, Jeejee, Régis, Duda, Ale, Camilona, Zé, Andréia, Tânia, Elvis, Henrique, Bôi, Aline, Michel, Raphael - e mais um zilhão de gente que colou ali pra nos ver - estarão sempre em nossos corações, é de conhecimento público. Enfim, se tem uma coisa certa pra gente é saber que ali estamos no lugar certo. E com as pessoas certas.
Por favor, faça um favor a si mesmo e vá ao menos uma vez no Campus VI. Vai, pega uma cerveja, conversa com gente de verdade e ouve um som. Só isso. Arrisco a dizer, sem medo de errar, que a despretensão deles é que torna o lugar tão agradável. Eles não querem ser mais-um-lugar-hypado-pra-show-etc-e-tal. Eles são o nosso bar. O bar que a gente elegeu como lugar pra desajustados como nós. Onde você vai e sabe que uma hora ou outra tem um som bacana, que teus amigos vão estar lá e que você pode falar com gente normal, e não com gente cinza que fica maldizendo a vida por trás de um balcão de bar. Isto posto, saibam que já mandamos o pedido pra que seja incluído o Campus VI naquele livro 1001 lugares pra se visitar antes de morrer. E temos dito.
Ah, os shows foram assim:
A Mandíbula é o novo projeto do Leandro (ex-Monaural), Zé (ex-Seamus) e do Maia (baixista do Espasmos do Braço Mecânico). Os caras mandaram seis músicas que tão na primeira leva da divulgação da banda. E ó, é peso, viu? Coisa de gente grande. Ótimos arranjos de guitarra, bateria punkamente tocada no melhor estilo quebra tudo e baixo fraseando bonito e botando ordem na coisa toda. Pois é, ensaio dá nisso, um show de responsa e que já diz a que a banda veio. Ou seja, ajudar a destruir um pouco mais os tímpanos da classe trabalhadora. Vida londa, fuckers!
Depois foi Topsyturvy. Ah mano, que que é aquilo? Como tocar depois daquilo? Somos pessoas velhas, isso não se faz. Um mínimo de respeito é necessário. Já disseram que eles tem muito de MarsVolta, psicodelia e tals. Sei não, soa meio reducionista isso, saca? Aquilo tá mais pra um John Coltrane chamando o Miles Davis pro pau depois de ter passado a mão na bunda do cara do Marduk. Mazomêno isso. E é sensacional! Uma energia ao vivo tão fudida que se a gente for fazer isso periga dar câimbra. É tanta quebradeira e tanto arranjo que você nunca sabe o que vem depois. Ah, depois vem o batéra levantando e chamando o povo pro pau. Aí é demais, quase fomos lá pra dar um cróque na cabeça do infeliz. Olha, Topsyturvy é sensacional. Sério, convivam com isso. Porque isso que vocês fazem é uma senhora de uma encrenca. Um brinde!
O La Carne foi depois disso tudo. Na medida do possível, até que conseguimos sobreviver tocando depois do Topsy e do Mandíbula. Rolou até Jukebox, vai vendo. O microfone ligava, desligava e voltava a ligar, mas no final deu tudo certo. Tinha um monte de gente cantando e gente olhando pra quem tava cantando. Teve gente voando, gente se beijando e gente bailando. Teve música nova com gente espumando e esmurrando o palco. Teve gente invadindo o palco e cantando refrão. Sim, tudo isso.
Não tem jeito, tocar no Campus VI é redentor.
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Olha, quando a gente entrou nessa de música, foi como se tivéssemos arrombado uma janela pra um mundo cheio de coisas pra conquistar. Mas depois você se liga que a música é um território propício a gigantescas decepções. Um lugar cheio de gente “bem intencionada”, gente “da cultura”, um lugar repleto de blefes e cartas marcadas.
E sabemos que nunca seremos célebres e que nunca entraremos no clube dos bem intencionados. Continuaremos seguindo nosso espírito e recusando veementemente a etiqueta e o estereótipo. Sim, seremos sempre musicalmente incorretos. Como dizem por aí, excluído por excluído, é melhor você ser excluído sabendo o porque da exclusão.
Veja bem, a coisa mais valiosa que temos é nossa raiva. Ao invés de diminuir, ela vai ficando pior com o tempo. Essa raiva é o nosso sentimento mais puro e verdadeiro. Daí que a gente tira força pra suportar os “especialistas”, o cotidiano e os donos da situação.
Veja só, diversos amigos sempre nos perguntam: “Pô, o que acontece nos shows de Mogi que vocês ficam sempre comentando e tal?” Aí a gente explica que o que acontece ali é que tem uma geração de gente aberta ao novo como há muito tempo não se vê. Que a cada ida pra lá conhecemos gente diferente e banda diferente. Gente que não quer ouvir música apenas como entretenimento – é, a despeito do que possa parecer, rock não é entretenimento. Gente aberta pra novidades, artistas diferentes, textos diferentes e sons diferentes e pulsações diferentes. Gente que não parou no tempo e sabe que o cérebro é um músculo, e que se você não exercitar ele atrofia. Simples assim.
E é isso.
Amigos, obrigado por mais essa noite inesquecível.
Definitivamente, vocês são a amizade certa nesses anos incertos.
Um brinde!
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